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O que um filósofo estuda? | Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho   " Um filósofo não estuda autores e textos. Estuda problemas, estuda a realidade, estuda a existência e seus enigmas...

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

O escravo Aristóteles

Autoria: João Emiliano Martins Neto 


Tem gente que nasceu escravo, o caso de nós, brasileiros, povo inferior que vota nas falsas direita e esquerda, povo com uma subcultura de samba, brega, funk e pagode. Tem gente que nasceu escravo dizia o Filósofo (Aristóteles) e talvez fosse o caso do próprio referido Filósofo que era uma besta que dizia que a alma humana é mortal tanto quanto a alma do besouro rola-bosta e ele dizia que a felicidade (eudaimonia) dependeria de bens externos como riquezas materiais e boa-fama. Talvez de tanto o Filósofo (Aristóteles) catar cocô de bicho no primeiro jardim zoológico que ele inventou no mundo, ele acabou achando que o homem funciona como as bestas, os bichos que ele tratava, antes ele ficasse com a matemática do platonismo. Ainda bem que foi Espeusipo, sobrinho de Platão, que herdou a Academia, Aristóteles deu o fora e fundou o seu Liceu.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

In vino veritas ou a tríplice cura para a alma

Autoria: João Emiliano Martins Neto


O meu último artigo aqui neste meu blog foi regado a álcool, foi regado a catuaba. O vinho fez descer macio o último artigo que eu escrevi sobre os malditos evangélicos na pessoa do sujeito maldito que está me sacaneando aqui no meu bairro de Nazaré onde eu presto um serviço para o meu patrão que é vendedor ambulante. In vino veritas. No vinho vem a verdade e naquele mesmo dia eu dei um recado para aquele meu vizinho que eu referi em outro artigo o qual não gosta de nós, homossexuais, e fica me provocando colocando-me em situações vexatórias. Eu não briguei com ele, até apertei-lhe a mão amistosamente, contudo, disse para ele me deixar em paz, ele que é um doente mental perigoso, violento, segundo ele mesmo. Eu disse a ele que eu também sou doente mental, mas, graças a Deus, sem talvez o risco de agredir fisicamente a ninguém com gravidade e frontalmente, que talvez seja o caso do meu vizinho.


In vino veritas, o vinho, o álcool, faz parte da tríplice cura para a alma. Quem queira se proporcionar uma alegria, um alento, que busque pela Igreja Católica Apostólica Romana, que beba e que também busque um psicólogo, um psicanalista ou psiquiatra. A alma pode estar precisando em concomitância dos três ou pelo menos do mais poderoso que é Deus através de seu reino neste mundo que é a Igreja Católica, apesar deste reino estar muito combalido por grossas camadas de morte, inverno, imposto sob a Nárnia que é o Peregrino da Alvorada que é a Igreja Católica depois da maldição que foi o Concílio Ecumênico Vaticano II. 


Pode dispensar a tríplice cura para a alma quem não seja um sábio tipo o filósofo Sócrates ou Olavo de Carvalho que mesmo sendo católico, todavia, dizia que era guru de si mesmo, ele que era realmente um grande filósofo e sábio tal qual hoje eu o percebo, pois que mesmo que ele já esteja morto eu estou fazendo o curso dele de Filosofia que posiciona a alma humana para ser uma caixa de ressonância do real. O curso de Olavo forma com efeito a filósofos e não só pessoas com cultura filosófica.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Uns frutos do sacrário

Autoria: João Emiliano Martins Neto

 


Hoje como todos os dias eu estava rezando diante do sacrário da igrejinha onde eu fui batizado na infância, na Igreja da Santíssima Trindade de Belém do Pará, e lá rezando eu acho que eu colhi uns frutos de um certo ângulo muito interessante e luminoso de algumas coisas importantes comuns ao mundo como Deus, a alma humana e a liberdade tão questionadas e que seriam incognoscíveis para um certo homem distante de Deus como Immanuel Kant e que influenciou vários filósofos de várias gerações e a cultura depois dele. Kant que era oriundo de uma seita herética protestante, a luterana, mas era um cristão não muito ortodoxo, conforme dele diz o grande filósofo Eric Weil e eu acho que por tal filiação herética ele não conseguiu ter uma visão espiritual mais acurada.

 

Eu ali rezando diante do sacrário cheguei à conclusão que Kant, o homem do Iluminismo com sua noção de emancipação e busca de autonomia humanas, pois, retomando o sofista antigo, Protágoras de Abdera, o homem seria a medida de todas as coisas e não Deus, consoante via Platão, tal emancipação e autonomia humana dar-se-ia pela saída do que seria para Kant o sono dogmático, o abandono da metafísica antiga dogmática que voltava-se para a pesquisa em torno do objeto, contudo, doravante depois do pequeno homem de Königsberg, o homem seria o centro de tudo e definiria humana, demasiado humanamente o que seriam, "para ele", as coisas comuns ao mundo e não as coisas em si mesmas, em especial o que seria Deus, a alma, a liberdade e a imortalidade d'alma.


Isso que dá ser um herege protestante e nunca honrar e contemplar por pelo menos uns trinta minutos o próprio Deus Jesus Cristo tal qual há dois mil anos atrás no sacrário, o mesmo Cristo ainda que preterido por aqueles homens do passado e por todos nós, homens, de todos os tempos, judeus como os primeiros culpados e depois todos nós, homens, dos demais povos e raças. Kant acabou cego, agnóstico, dizendo que a coisa em si seria incognoscível sendo assim incognoscível o que há de mais alto como Deus e também a alma e a liberdade, por conseguinte, a imortalidade da alma.


Rezando ali eu percebi que há uma alma e como tal uma liberdade, liberdade para o amor, amor a Deus sobre todas as coisas e semelhantemente amor ao próximo como a si mesmo, ainda que ao custo de privações, sofrimento, perseguição, dor, humilhação, pobreza, apertos, tumultos, pancadaria e até diante da ameaça de morte. O amor que, escreveu São Paulo aos coríntios, tudo suporta, sofre, atura, tudo crê, tudo espera, tudo desculpa. O homem não precisa ser na verdade um fantoche de seus instintos, de seu orgulho idólatra, achando-se um suposto aristocrata, como dizia Friedrich Nietzsche, e assim refém dos mais baixos instintos e das trevas, descurar da compaixão, do perdão e do cuidado com os mais necessitados.


A questão da alma e a questão da liberdade foi o que brilhou para mim e eu acho que eu pude colher como uns frutos do sacrário, ao rezar ali diante do sacrário da igrejinha da Santíssima Trindade. Sou muito grato a Deus por essa luz que ele fez incidir, hoje, em mim um seu terrivelmente indigno servo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O que eu busco?


Eu busco, caro amigo leitor, uma vida de relação. Primeiro busco o relacionamento com meu semelhante, porque bem diz o apóstolo São João que quem não ama ao irmão a quem vê como amará a Deus a quem não vê?

terça-feira, 30 de maio de 2017

Um caminho para a honestidade, sinceridade, enfim, para a verdade

Seja você mesmo, seja você o que você é. Mas o que é você de tão especial senão primeiramente e incontornavelmente um homem, um ser humano? Você é criatura, você é homem, nem anjo e nem um animal irracional quadrupede, não é você uma reles besta qualquer movida e arrastada pelo instinto. Você é homem, você é criatura, sabe muito, mas não sabe tanto quanto o anjo sabe nem muito menos, nem você e nem o anjo, sabem tanto quanto Deus que tudo sabe, pois a divindade é onisciente: tudo sabe.

Ok, você é homem, é criatura, seja você mesmo, então, meu amigo, você pode saber algo e pode querer, tanto quanto Deus sabe e tem vontade, tanto quanto os anjos e diferentemente dos animais. Você é um ser espiritual, você tem uma alma, um espírito, que são livres, logo, não escravize à materialidade, à aparência e ao que passa, ao devir, não escravize ou não deixe-se escravizar e subverter o que em você é, liberdade e conhecimento puros, em vista do que passa, do que não é o ente, como os vícios de comida, bebida, drogas, o dinheiro, a mentira, a corrupção, a fornicação, o poder, ou seja, em nome de tudo que já na sua vida hão de te dar apenas um curto e fugaz momento de prazer ou no caso do dinheiro e bens, as próximas gerações que sucederem a você, ó homem, elas não conseguirão manter, pois mentira tem perna curta e ninguém engana a todos e o tempo todo.

Eis, portanto, acima, meu amigo, um caminho que te dou para a honestidade, a sinceridade e a verdade. Seja forte, você é forte, é homem, tem a graça divina, Cristo morreu por você. Eis, por fim, um caminho, que creio seja o caminho, seja o próprio Cristo que pela fé e somente pela fé n'Ele, justifica e purifica você de toda a mancha do pecado e com a graça d'Ele há de ajudar a você a ter uma fé viva, plena de boas obras, plena de uma maravilhosa carreira luminosa, livre e sapiencial, porque espiritual e fecunda.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Um acesso à minh'alma

Para além de eu ser um homem baixo, hoje com barbas brancas, precocemente, com cicatrizes na testa, fruto de minhas peraltices de infância, para além de meu nariz ser meio achatado, eu digo que tenho uma alma, tenho um ser, tenho e sou um ente racional, com uma alma mortal segundo o Filósofo (Aristóteles), mas eterna segundo a teologia cristã, pelo menos a católica romana e a protestante mais clássica, baseada na Bíblia, segundo diz o livro do Apocalipse.

Eu tenho um ser, uma alma que quer viver, mas que as vezes pode corromper-se, pode obscurecer-se, como a sulamita do livro de Cantares da Bíblia, que, decerto que confiada e confiando em os homens, seus irmãos, foi mandada a cuidar das vinhas que lhe não pertenciam e acabou obscurecida com a alma dos pecadores, acabou preta, ainda que bela, mas enegrecida pelo pecado que deforma o homem. Meu ser, então, eu diria interpretando o livro de Cantares, ou o ser de todo o homem, sua alma, é bela para Deus, o esposo, Salomão, mas pode acabar abatida, maltratada pelo pecado, pelo pecado do homem que preferiu confiar mais em si mesmo e em seus irmãos, os homens, do que em Deus. No meu caso, caro leitor, que padeço do pecado da preguiça, eu prefiro confiar mais em mim mesmo e na ajuda humana como a dos meus pais que sustentam-me financeiramente, do que confiar em Deus e no oferecimento de sua graça para aperfeiçoar a minha natureza que há de ser apta a fim que eu faça mover céus e terras, se preciso for, para que eu cumpra a minha missão neste mundo.

Veja, meu amigo leitor, não se assuste, minha alma parece um castelo assombrado, mal iluminado e com goteiras, enegrecido pelo pecado, lamentável... Se puder, ore por mim, caro leitor, peça a Deus que envie a sua graça e seus anjos para como labaredas de fogo que eles são, que eles formem uma muralha do fogo consumidor que é o nosso Deus, a fim de que o tormento do inferno que esteja a seduzir-me para o pecado da preguiça bata em retirada, com a minha própria colaboração, outrossim, na forma de mais orações, jejum e determinação para que eu cumpra a missão que a mim, o Emiliano, o maior dos pecadores, para que eu cumpra a minha missão nesta vida.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós. 


Amém.

domingo, 5 de junho de 2016

Ideologia para sobreviver

Pragmatismo não enche barriga. Já dizia o Cazuza que queria uma ideologia para sobreviver. É preciso um discurso, cultura, alma, coração, poesia, canções, coisa que o imediatismo pragmático que não vai fundo nas questões humanas universais, eu não vejo como um caminho para uma direita no Brasil e no mundo, enfim, vencer o Marxismo. O que e quem enche barriga é o pão e o vinho eucarístico da pessoa de Cristo transubstanciados na pessoa de Cristo Jesus durante a Santa Missa. Precisamos de uma direita cristã no Brasil e no mundo.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ser estudante é...


Ser estudante é...

Vencer as barreiras do tempo em que se vive por mais terrível que seja. Ser estudante é vencer o lugar em que se mora por mais hostil, barulhento e apesar das trevas da caverna platônica que se precise vencer pessoalmente e/ou coletivamente. Ser estudante é amar o que todo homem digno de ser chamado homem ama que é o conhecimento, o diálogo d'alma consigo mesma, a trégua que o homem a si concede para refletir a fim de tornar a vida digna de ser vivida, porque de fato sabida, porque bem experimentada e que alimentará nossa alma, nosso ser com tal saber mais ou menos conforme a substância mais ou menos real e consistente do que hemos de experimentar ao estudarmos. Ser estudante é incomparavelmente mais do que uma ter um dia uma profissão, mas eis que é conceber a melhor definição para as mais altas perenes e universais aspirações que abarcam e transcendem evidentemente meras ocupações remuneradas, mas são a causa final de tudo o que move o homem que eis que é a felicidade eterna no Céu ao lado da sabedoria buscada por todo estudante sério. Tal sabedoria que eis que é Deus, é Cristo Jesus nosso grande Deus Salvador que está assentado à direita de Deus Pai e do Amor que é o Espírito Santo que impulsiona todo estudante, junto de Nossa Senhora e todos os anjos e santos.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O que é o amor?

O amor é a liberdade de absolutamente dispor da própria alma, através do uso da vontade, mesmo que custe a sua própria vida, em benefício de alguém.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Deus e Michel Temer

Presidente Michel Temer temeroso diante do tema Deus?

O presidente interino Michel Temer em seu discurso, ontem à tarde, de posse disse algo sobre Deus, mencionou esse Nome polêmico e só, ficou no nome e na praxe corriqueira de pedir a benção divina, nenhuma por mais mínima que fosse consideração a respeito do Todo-Poderoso ou o mínimo mencionar da relação de Temer e/ou dos brasileiros com o Onipotente nosso Pai Salvador, absolutamente nada.

Eu se fosse Temer ao menos diria assim que "Deus é meu Deus e meu Salvador e meu melhor Amigo e sei que esse Deus é isso tudo para a esmagadora maioria do nosso povo brasileiro", diria ao menos isso. Enfim, se não se toca na alma de um povo como costuma fazer a esquerda e muito bem, resta, de fato, só uma abertura bem estreita para a liberdade econômica que é o único discurso insípido ad nauseam dos que não são petistas no Brasil.

sábado, 23 de abril de 2016

Ser ex-qualquer doideira, apanágio dos homens

Qualquer outro animal jamais será ex-qualquer coisa, porque um animal não pode dizer não a si mesmo. Ser ex-gay, ex-comilão, ex-bêbado, ex-puta, ex-fofoqueiro ou ex-qualquer doideira que o valha é para homens, é para a humanidade que é um ser moral, que pode fazer escolhas.. Um animal não pode se auto-contrariar, enquanto isso um ser humano pode em vista do discernimento exato do certo e do errado pela sua alma humana sábia que faltam ao animal tanto a alma quanto a sabedoria.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Nós temos fome de que?

Eis o corpo de Cristo eucarístico que mata nossa verdadeira fome para sempre

Caros amigos leitores, confesso para vocês, eu sou um glutão, sou guloso, sou idólatra por comida, sou o maior dos pecadores, faço parte, enfim, da crápula, aquela gente que se não vigiar o paladar são um dos tipos de gente que não estarão preparados quando da volta de Cristo Jesus na sua Parousia.

Ora, caros amigos, que fome e de que é essa, mas que se a gente for ver, é claro, precisamos de comida para viver, é evidente. Mas que pão, que comida é essa que quer que a comamos, quer que a bebamos, amanhã morreremos, ou amanhã sentiremos fome novamente e o círculo vicioso se reinicia? Porque esse é o destino da comida física, material, a gente come, come, passa a fome depois a fome volta ou depois podemos morrer. Mas e aí? Isso aí não seria uma mesmice infernal digna de idiotas, digna, para ser bem claro, de animais como cães ou gatos ou jacarés? Não é melhor pensar também em uma comida que nos satisfaça para sempre e de uma vez por todas, uma comida que nos dê vida e lhes digo isso porque é bem evidente que temos algo em comum com os animais que é o corpo, mas somos só isso, bichos? E a alma? E a nossa vontade, inteligência, consciência? Isso não nos distingue dos bichos como parece ser evidente? Essas coisas, vontade, inteligência, consciência podem ser saciadas com quitutes, pão, carne, banana, refrigerantes e brigadeiros, será mesmo? Será que ao contrário essas coisas não nos deixam cativos às mesmas e obras que exigem que nós nos contrariemos, obras que exigem sofrimento e até a nossa própria vida como a vida religiosa, o perdão, a compaixão, os estudos, o amor mesmo aos inimigos, visitar os doentes e presos, contrariarmos impulsos sexuais e mesmo os impulsos por querermos comer mais um pouco daquela comida deliciosa. Imaginem, caros leitores, que tais obras que são operacionalizadas evidentemente que pel'alma, certamente que a alma fica como que impedida de assim agir nessa direção pelo peso de nosso corpo operacionalizando os instintos cegos sempre exigindo prazeres.

Nós temos fome de que, então? O homem tem fome no final das contas de ser ele mesmo, de ser um ser humano, livre, de operacionalizar plenamente a sua alma ou deixar que a alma, sim, operacionalize, comande tudo, porque é a alma que caracteriza um ser como verdadeiramente humano. A alma que é a sede da vontade e não dos instintos cegos, comuns a qualquer barata ou rato, como o da fome física por alimentos, tema desse post. O homem busca pelo seu Criador, pois é inteligente, o homem enfim está em busca do Absoluto, ainda que esmagado pelos instintos, pelo pecado, esmagado pelo diabo e por homens maus e por um mundo aonde se há o mal é porque homens e anjos são livres para optar pelas trevas ou pela luz. Essa é a fome verdadeiramente humana, é a fome que só o pão que caiu do Céu que é Nosso Senhor, Mestre e Salvador Jesus Cristo pode nos dar na sua Palavra e na Eucaristia.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Relações corpo, alma e Jean-Paul Sartre

Autor Olavo de Carvalho


Sartre explica o "post coitum triste" como resultado da vergonha que o "para si" (consciência) sente por haver sacrificado sua liberdade às exigências do "em si" (corpo). Mas quem disse que a compulsão sexual vem do puro corpo? Onde surgem as imagens sensuais e oníricas que nos põem no encalço da satisfação sexual? Se fosse no corpo enquanto tal, separado da consciência, nem repararíamos nelas, como não reparamos no funcionamento das nossas glândulas de secreção interna. É na consciência que surge e se elabora o desejo, que em seguida o ambicioso "para si" incumbe o inocente "em si" de realizar para satisfazê-lo. A consciência pode deleitar-se em fantasias sexuais por horas e dias seguidos, mas o corpo é débil e só pode satisfazê-las por uns poucos segundos. O "post coitum triste" expressa apenas a decepção da presunçosa consciência com o pobre instrumento carnal que não consegue jamais realizar satisfatoriamente as suas ambições.

Sendo a forma do corpo, a alma contém em si, de maneira simultânea,todas as
Charge de Sartre
possibilidades do corpo, mas ele, não sendo determinado só por ela e sim por todo o quadro espaço-temporal da existência terrestre, só pode realizá-las em escala muito limitada e um pouquinho de cada vez. A tristeza da alma no mundo terrestre não vem de que ela "se aliene" no corpo, mas de que o corpo a frustra e decepciona continuamente, por ser desprovido daquele toque de imortalidade que a alma antevê em si mesma e do qual ela desejaria, em vão, que o corpo desfrutasse também. O "post coitum triste" vem do fracasso de um sonho de imortalidade física que se desfaz repentinamente após o orgasmo. Se em vez de raciocinar dedutivamente a partir dos conceitos de "em si" e "para si", Sartre tivesse seguido a lição de seu mestre Husserl e examinasse a experiência real, teria compreendido isso.

Se valesse a pena analisar logicamente a filosofia de Jean-Paul Sartre, bastaria, para reduzi-la a pó, negar a sua premissa fundante, que é o dualismo cartesiano das substâncias. Quem aprendeu com Aristóteles e os escolásticos que a alma não é uma substância distinta e sim a forma do corpo não pode ler sem rir a descrição que Sartre faz do ato sexual, que Roger Scruton, por excesso de generosidade, considera "um paradigma da fenomenologia", mas que não passa de uma fantasia de menino malvadinho intoxicado de dualismo. Tanto que essa descrição se prolonga, sem alterar-se, na do sadomasoquismo, o que nos revela que Sartre jamais conheceu o sexo senão pelo lado sadomasoquista. Isso basta para mostrar que no estudo da sua obra o enfoque psicopatológico vale mais que a análise lógica.

O que pode confundir os incautos é que Sartre camufla o dualismo de Descartes sob a terminologia hegeliana do "em si" e do "para si" em vez de dizer simplesmente "corpo" e " alma".

Levar Jean-Paul Sartre demasiado a sério é prova de imaturidade.

Se a alma fosse uma substância separada do corpo, seria impossível compreender qualquer coisa da psicologia de um ser humano pela sua expressão corporal.

O dualismo está tão impregnado na cultura moderna, que a maioria das pessoas continua interpretando nesse sentido a afirmação de que "a alma é a forma do corpo". Entende forma no sentido de formato externo, ou no sentido da distinção entre o especial e o inespacial. Alguém diz, por exemplo, "A alma não tem glândulas". É claro que tem, A alma não é o formato, é a fórmula, o algorítmo, o princípio articulador, a lei de proporcionalidade intrínseca do corpo. Nada está no corpo que não esteja antes -- e depois -- na alma.

O algoritmo contém todas as mutações que a individualidade corporalizada pode sofrer ao longo da sua existência terrestre, separadas daquelas que não pode. Por exemplo, você pode ficar gordo ou magro, pode vir a ser um santo ou um genocida, mas não se transformará jamais numa vaca ou num trombone.





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