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O que um filósofo estuda? | Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho   " Um filósofo não estuda autores e textos. Estuda problemas, estuda a realidade, estuda a existência e seus enigmas...

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

O catolicismo romano (gnóstico) para inteligentes

Autoria: João Emiliano Martins Neto 





O catolicismo romano (gnóstico) é para os inteligentes. É um analfabetismo bíblico e metafísico não ser católico apostólico romano com as devidas correções da filosofia do conhecimento por presença de Olavo de Carvalho que fez uma introdução da gnose ou um "gnosticialismo", como eu o chamo, na filosofia ao lado de René Guénon e Fritjof Schuon. É analfabetismo bíblico, a Bíblia Sagrada está empoeirando na casa de tal pessoa não romaninha e bem burrinha sem inclinação gnóstica ou para buscar enxergar diretamente a verdade de que por exenplo o Pau na Bundadelli (Paulo Ghiraldelli Júnior) hoje resta usando fraldas por causa da introdução da piroca de Josef Stálin em seu ânus dado o materialismo histórico e dialético marxista adotado a vida toda por Bundadelli. É analfabetismo bíblico, pois é evidente que Jesus Cristo deu o poder das chaves e o primado e supremacia a São Pedro e a seus sucessores que factualmente sucederam até hoje a São Pedro.



É analfabetismo metafísico não ser católico apostólico romano, pois já diria René Guénon, a metafísica é superior à teologia restrita à fé que por si só pode ser cega e a rótulos, estereótipos dogmáticos como o é a desordem - o na verdade "desordo theologie" dos cismáticos orientais - de colocar a teologia acima da filosofia ou metafísica. A metafísica é mais ampla não impondo, em termos heideggerianos, a dominância do ente que é a pequena cabecinha humana com seus dogmas, ideias, categorias, pensamento, lógica, fé cega ignorante sobre o ser que possibilita o ente e cuja suma é Deus. O ser que tem por coração o Sagrado Coração de Jesus filho do Imaculado Coração de Maria protegidos pelo fortíssimo sustentáculo e guarda providente da Divina Família que é o Castíssimo Coração de São José.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Fé evanescente (poesia cristã)

Autoria: João Emiliano Martins Neto 



Início do debate
Vai o dito cristão renunciando a fé cristã
O olhar perdido no nada da criação 
Animal a ser domado
Libido dominandi a ser experimentado
Ele quer o poder sem nenhum pudor
Fé evanescente
Sem o pudor ninguém é inocente 
Com o uso da ciência que incha
Em auxílio da tal razão relega uma lei naturalista
Ele diz defender a família 
Naturalismo familiar
Não a sobrenatural família de Jesus Cristo
Onde nunca houve disfuncionais
Famílias naturais
Os irmãos na fé
A fé privatizada do capital
- A fé é algo que se tem ou não, desculpa ele.



A fé cristã vai junto com pepinos nas feiras?
A fé não é de todos, disse o Apóstolo
Não é de qualquer um
Deus quer que todos se salvem e conheçam a verdade, diz o Sagrado Livro 
Quem pode reclamar da fé ser deserdado?



Repete o dito cristão chavões e mentiras do Gnóstico
Ele queria o poder sem nenhum pudor
Mentiras:
Liberalismo sexual na União Soviética, calúnia de Josef Stálin a Kolontai
Quer o poder sem nenhum pudor
A santa fé soberana já foi
Impõe-se a subalterna razão
De Estado razão
Irrazão 
Sede de dominação 
A Deus pertence a força, diz o salmista 
À pobreza sucede a riqueza tediosa, ó idiota!
E entre uma e outra coisa a paranoia dos poderosos
A Deus pertence a força
E aos pobres homens de fé o combustível 
Da revolução que levará o falso cristão à forca.



segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Uma cadeirada na revolução e o copo do diabo

Autoria: João Emiliano Martins Neto


José Luiz Datena agredindo Pablo Marçal (todos os direitos autorais reservados da fotografia. Endereço da imagem: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/20bc/live/15ad5cc0-740b-11ef-b02d-c5f3b724a1ea.jpg.webp)


A cadeirada em Pablo Marçal no último debate de ontem, dia 15 de setembro de 2024 na TV Cultura, dada em Marçal da parte de José Luiz Datena, acusado de abuso sexual e durante vinte e três anos filiado ao partido das trevas que é o Partido dos Trabalhadores (PT) aliado da narcoguerrilha das Farc - EP nos quadros do Foro de São Paulo, cadeirada no bandido Marçal condenado duas vezes na Justiça e coach charlatão que matou por uma parada cardíaca o próprio funcionário mandando-o disputar nada menos do que uma maratona, foi uma cadeirada na revolução comunista. Provavelmente, se já o era antes para a opinião popular que passa longe das pesquisas de opinião pública e passa longe da elite esquerdista alienada, Marçal já está eleito o próximo prefeito da Pauliceia e a revolução ficará para depois, junto com o Céu que os esquerdistas em geral, um deles Marco Antônio Villa, deixam para depois, ateus que eles o são, Villa que despreza "narrativas religiosas", aspas para ele. Os comunistas beberam no copo diabo com o desequilíbrio de Datena que inclusive desequilibrado masturbou-se ao ver a imagem da mulher que ele teria abusado sexualmente, nenhum homem é de ferro, o diabo leva o homem a filiar-se ao PT e a supostamente abusar de uma mulher, o homem assim acaba sem autocontrole. Os direitistas já passaram como disse o Generalíssimo Francisco Franco para os republicanos comunistas stalinistas espanhóis, Franco que salvou não só a Espanha como toda a Europa dos tentáculos do polvo vermelho que era Koba (Josef Stalin).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Katyn, a grande intriga

Autoria: Luiz Carcerelli do site Nova Democracia

 

A morte recente do presidente da Polônia, Lech Kaczynski, e outras 96 pessoas, num acidente aéreo em 9 de abril, deu aos reacionários de plantão pelo mundo mais um gancho para trazer à tona intrigas e difamações contra a União Soviética e Stalin. Acontece que a comitiva se dirigia a Katyn, localidade próxima de Smolensk, na Rússia, para prestar "homenagens" a supostas vítimas polonesas dos serviços secretos do Exército Vermelho. Imediatamente o monopólio dos meios de comunicação do mundo todo ressuscitou o caso, do qual se falou mais até do que da morte do presidente polonês. 

 
Genocídio nazista é desmascarado. A grande mentira sucumbe aos fatos

O massacre de Katyn ficou assim conhecido através de uma intriga nazista que data de 1943, quando acusaram o Exército Vermelho de ter executado com tiros na nuca a cerca de 10 mil poloneses, principalmente militares. Os nazistas anunciaram uma "investigação" no território ocupado por eles, com a ajuda de um governo títere e de uma Cruz Vermelha coagida e enquadrada, para chegarem a conclusão de que não foram eles, e sim os soviéticos que cometeram tal atrocidade.

Para entender Katyn é necessário entender primeiro o papel desempenhado pela Polônia no panorama europeu e o Pacto de Não-Agressão assinado pela URSS e a Alemanha nazista.

A Alemanha, que saiu destroçada da Primeira Guerra Mundial, foi reerguida e rearmada pelos países imperialistas e tinha propósitos expansionistas, principalmente contra a URSS e o socialismo. No entanto, sabia que consolidar uma posição forte na Europa era fundamental e abrir uma guerra com dois fronts seria suicídio.

A URSS, por outro lado, não tinha dúvidas que um ataque nazista a seu território era questão de tempo e por mais que as contradições interimperialistas estivessem se agravando era ela, a pátria do socialismo, o inimigo jurado de todas as potências imperialistas. Sabia que em caso de agressão nazista deveria contar apenas com suas próprias forças e ter uma estratégia precisa, pois os possíveis aliados esperariam um desgaste das duas partes antes de intervir. Tais suspeitas se confirmaram com a demora da abertura da segunda frente iniciada com o desembarque da Normandia, já no fim da guerra. A URSS Precisava de tempo para se preparar política, econômica e militarmente para o confronto inevitável. Não por acaso a diplomacia revolucionária soviética trabalhou arduamente toda a década de 1930 por um acordo de não-agressão com a Inglaterra, França e inclusive com a Polônia, acordo jamais realizado.

Em 23 de agosto de 1939, o Pacto de Não-Agressão entre a URSS e a Alemanha é assinado e até hoje reacionários e oportunistas de todos os matizes acusam a URSS de ter dado a senha para o início da guerra. O que esquecem de se referir é que teria sido suicídio não se preparar para enfrentar a Alemanha armada até os dentes e que todas as potências imperialistas olharam para o outro lado, tanto no caso da Polônia como da Tchecoslováquia, Bulgária, etc., até que os nazistas desfilaram em Paris. Com o Pacto, a URSS entrou em um esforço monumental em que fábricas foram mudadas de lugar, armas foram aperfeiçoadas e produzidas em massa, estradas abertas e o principal, massas foram preparadas política, ideológica e militarmente para enfrentar o inimigo. O fato é que o Pacto permitiu a preparação e a ordem de resistir até o último homem em Moscou, Leningrado e Stalingrado, sendo essas as duas pedras fundamentais da vitória sobre o nazi-fascismo. Não é de se estranhar que sejam justamente elas que mais queixas e lamúrias levantem da reação.

Neste cenário a Polônia desempenhava papel fundamental: era a única barreira entre a Alemanha e a URSS, Hitler queria ocupá-la prontamente e a necessidade de criar ali a primeira linha de defesa do território soviético também era premente. Ademais, o pacto estabeleceu que a URSS ocuparia apenas o território com maioria da população ucraniana, bielorrussa e russa, que então compunham a união das nações soviéticas.

A guerra se desenvolveu rapidamente e em 1941 parte significativa do território soviético já estava ocupado, incluindo a região de Smolensk, onde se situava Katyn. 

 

Foto da execução de prisioneiros em Katyn
encontrada com soldado nazista ao fim da II Guerra

Em 11 de abril de 1943, autoridades nazistas começam a difundir a patranha de Katyn. Afirmando que haviam descoberto, dois meses antes, covas coletivas com cerca de 10 mil oficiais poloneses assassinados pelos soviéticos, supostamente em 1940. Surpreende o fato de tal "descoberta" bombástica ter sido feita apenas dois meses após a derrota dos nazistas em Stalingrado e o consequente início da contra-ofensiva soviética. 

 

O que ocorreu

Em 1919, no fim da 1ª Guerra Mundial, estabeleceu-se a chamada "Linha Curzon", que delimitava a fronteira entre a Polônia e a jovem pátria proletária. Insatisfeitos, os poloneses se aproveitaram da fragilidade militar dos revolucionários russos e avançaram a oeste da linha, tomando grande extensão do território russo.

Em 17 de janeiro de 1939 a URSS ocupou o território a oeste da Linha Curzon e imediatamente iniciou a distribuição de terras aos camponeses, implementando também outras medidas populares e democráticas. Durante a batalha para retomar estes territórios, 10 mil oficiais e soldados poloneses foram feitos prisioneiros de guerra, sendo utilizados na construção de estradas, etc.

Durante a invasão nazista à URSS em 1941, a Ucrânia foi ocupada muito rapidamente e não houve tempo para a evacuação de todos os prisioneiros, razão pela qual os poloneses se converteram em prisioneiros de guerra alemães.

Eis que em abril de 1943 os alemães anunciam a descoberta das fossas com as vítimas do massacre, atribuindo as mortes aos soviéticos num momento crucial da ofensiva do Exército Vermelho. Não é difícil imaginar o que houve com os prisioneiros poloneses, mas mesmo assim ainda há testemunhos que confirmam a morte dos poloneses pelas mãos dos carrascos hitlerianos.

Maria Alexandrovna Sashneva, professora de uma escola primária local, declarou a uma comissão especial organizada pela União Soviética em setembro de 1943, imediatamente depois de o território ser libertado dos alemães, que em agosto de 1941, dois meses depois da retirada soviética, o que lhe disse um prisioneiro polonês fugitivo. Seu nome era Juseph Lock e relatou dos maus tratos sofridos sob a ocupação alemã:

"Quando os alemães chegaram, se apoderaram do campo de prisioneiros poloneses e estabeleceram um regime estrito. Os alemães não consideravam os poloneses como seres humanos. Os oprimiram e humilharam de todas as maneiras possíveis. Disparavam nos poloneses sem motivo algum. Ele decidiu fugir..."

Outros relatos revelam as pressões sofridas pelas "testemunhas" do massacre.

Parfem Gavrilovich Kisselev, habitante da região de Katyn, foi preso torturado e obrigado a assinar um documento onde dizia ter testemunhado a execução dos poloneses pelos soviéticos. Quando pensava que o pesadelo havia acabado, foi novamente obrigado a testemunhar perante uma comissão polonesa, mas não confirmou a versão nazista e de novo foi preso e surrado, até que repetisse a história ditada pelos carrascos alemães. Muitos confirmaram o depoimento de Kisselev e um exame confirmou as torturas a que foi submetido.

Outros testemunhos dão conta de que seria impossível, no estado que se encontravam os corpos, que os mesmos estivessem enterrados por três anos, como diziam os nazistas. Os cadáveres não estavam decompostos, como seria de se esperar de uma vala comum, mas com partes bastante íntegras e mantinham os membros quando eram puxados para a superfície sem nenhum cuidado.

Por fim, até o próprio Goebbels em mais de uma oportunidade deixaria registrado que tudo não passava de propaganda contra a URSS. Em seu diário, ele escreveu em 18 de maio de 1943: "desgraçadamente a munição alemã foi encontrada em Katyn. É fundamental que este incidente se mantenha em segredo. Se for conhecido pelo inimigo todo o assunto de Katyn terá que ser abandonado."

A correspondência secreta

A campanha difamatória sincronizou a imprensa nazista e a imprensa polonesa colaboracionista e é bastante esclarecedor acompanhar a correspondência entre Stalin e Churchill1 neste período.

Em 21 de abril Stalin escreveu "... A campanha de difamação contra a União Soviética, iniciada pelos fascistas alemães, a respeito do extermínio, por eles, dos oficiais poloneses na zona de Smolensk, em território ocupado pelas tropas alemãs, foi imediatamente acolhida pelo governo do Sr. Sikorski e alçada por todos os meios pela imprensa oficial polonesa. O governo do Sr. Sikorski, não só não fez nada frente a essa calúnia fascista contra a URSS, como nem sequer achou necessário dirigir-se ao governo soviético para pedir explicações ..."

Stalin comenta então que os dois governos, nazista e polonês, chamaram a Cruz Vermelha para participar da investigação, que se viu obrigada a fazê-la em um regime de terror. Comenta ainda que a forma sincronizada como tal campanha foi iniciada indicava a existência de acordo entre os dois governos.

Finaliza a carta afirmando que o governo soviético concluiu pela necessidade de romper relações diplomáticas com o governo polonês no exílio. 

 

Cena do filme Katyn, do polonês Andzej Wajda, que tenta reacender a intriga nazista

No dia 23 Churchill responde "... Nos oporemos energicamente, está claro, a uma ‘investigação' da Cruz Vermelha Internacional ou de qualquer outro organismo em território dominado pelos alemães. Uma investigação deste gênero seria uma enganação e seu veredito seria obtido por intimidação. Mr. Eden se reunirá hoje com o Sr. Sikorski para pedir-lhe que renuncie a dar apoio moral a uma investigação feita sobre a proteção dos nazistas. ..."

Churchill passa então a falar da "posição difícil" de Sikorski, que se ele fosse substituído poderia ser pior, e a tentar convencer Stalin a não romper relações. Sem dúvida, manter relações com governos reacionários era importante para Churchill e a difamação da URSS em nada lhe atingia, ao contrário. Mas para a URSS, manter relações com o governo reacionário polonês era, no mínimo, admitir a possibilidade de culpa. Assim sendo, em 25 de abril Stalin, em um curto bilhete, agradece o envolvimento de Churchill, mas afirma que já havia tomado as providências para o rompimento.

Nas cartas seguintes, datadas de 25 e 30 de abril, Churchill demostra seu caráter dúbio. Afirma que existiam diferenças entre as posições polonesas e nazistas, que os poloneses haviam inquirido os soviéticos sobre o assunto e que após enérgica intervenção britânica Sikorski havia se comprometido em não insistir em que a Cruz Vermelha fizesse a investigação. Logicamente tais iniciativas eram apenas de fachada, uma vez que o estrago já estava feito e os nazistas não parariam por causa dos protestos do governo títere da Polônia.

Churchill repassa uma petição do governo polonês para que seja autorizada a saída de poloneses em território russo e iraniano para sua incorporação no exército.

Insiste ainda no problema do rompimento de relações estre a URSS e a Polônia e se compromete a "chamar à ordem e à disciplina" "a imprensa polonesa em Londres, que obviamente também participava da campanha difamatória". Afirma ainda que "... Até agora tem sido uma vitória de Goebbels. Este se inclina atualmente com o maior zelo à idéia de que a URSS organizará um governo polonês em território russo e só negociará com ele. Nós, naturalmente, não poderíamos reconhecê-lo e seguiríamos mantendo relações com Sikorski ..."

Stalin responde em 4 de maio afirmando que até a data da carta a campanha difamatória não havia encontrado resistência em Londres, que julgava desnecessário desmentir a articulação de um governo polonês em território russo e que o governo soviético nunca havia imposto obstáculos à saída de soldados poloneses da URSS.

O fato é que ao desfraldar a patranha de Katyn, Hitler prestava um grande serviço a seus colegas imperialistas. Tentava vender a imagem de que os comunistas eram tão ruins como os nazistas. De fato, após a aniquilação do nazismo pelo Exército Vermelho, Katyn vem sendo usada para difamar o socialismo e tentar diminuir a importância da URSS na guerra.

Não por acaso, em 2009 estreou o filme Katyn, do polonês Andrzej Wajda, requentando a intriga nazista. Porém, apesar de filmes sobre a Segunda Guerra terem rendido muita bilheteria para Hollywood, quer enaltecendo a invasão da Normandia, quer tentando "queimar o filme" da URSS, o papel destacado do povo dos sovietes liderados pelo Marechal Stalin é indelével. Seguirá sempre nas mentes e nos corações dos povos como a lição de bravura e desprendimento de um povo para derrotar a besta mais reacionária que já surgiu.

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1 Primeiro-ministro britânico.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Folha de S. Paulo reescreve mentiras sobre Stálin e o socialismo

Autoria: Thales Caramante do Site A Verdade

  

FALSIFICAÇÕES – Após a morte de Stálin, os jornais da burguesia começaram a propagar uma campanha de difamação contra o socialismo que não corresponde à ética jornalística. (Foto: Reprodução/Klimbim)


O Dia da Vitória na Rússia tornou-se um espaço em que colunistas se esforçam para premeditar cenários políticos que nunca se realizam, desvendar bastidores que não se desvendam e espalhar fatos que são, na verdade, mentiras.


MOGI DAS CRUZES (SP) – Ao comentar sobre o desfile militar russo em homenagem aos 75 anos da vitória soviética contra o nazismo e libertação de toda Europa, o colunista Igor Gielow não perde a oportunidade de analisar certas conspirações políticas atuais, como todo bom colunista da Folha de S. Paulo. Há o lead inicial, há a busca por um detalhe irrisório que se transforma em uma “conspiração” ou um “cenário” de uma possível “crise” em torno dos bastidores políticos da Rússia; a ironia com o passado, as comparações desconexas, saltos lógicos, sondagem das “elites políticas” e, como não poderia deixar de ser, há o anticomunismo.

Comentando sobre a política atual, Gielow não deixa de demarcar politicamente entre a vitória soviética e a linha editorial do jornal. Faz pouco caso dos dirigentes responsáveis por essa vitória e busca humilhá-los, pois, apesar de verdadeiros heróis, não partilham da mesma cartilha liberal que o jornal faz questão de propagar diariamente por meio dos cansativos “O que a Folha pensa”.

Sumariamente, Gielow ironiza uma comparação que Putin fez sobre o Pacto de Munique de 1938 com o tratado Molotov-Ribbentrop de 1939.  O primeiro é descrito como um acordo entre as forças ocidentais (Inglaterra e França) e Hitler em relação à Tchecoslováquia, e ele descreve o último como “um aperto de mãos entre Belzebu e Satã”. Para ele, a comparação não é aceitável, porque em 1939 se tratava de um pacto de “partilha da Europa” entre os “nazistas e soviéticos”.

Ignorância ou mau-caratismo, Igor Gielow deixa de falar sobre a consequência da submissão inglesa e francesa nos acordos de Munique. Não dedica uma única frase sobre o que aconteceu com a classe trabalhadora tchecoslovaca, para os judeus e eslavos daquele país. Nem teria como, Julius Fučík já falou por todos os que sofreram naquele período e qualquer nota de pesar vinda de Igor seria um desrespeito com qualquer membro da resistência antinazista.

Evidentemente, não era interessante ao autor citar o papel estratégico do campo de concentração de Theresienstadt, citar as milhares de vidas que foram condenadas pela capitulação inglesa e francesa, ou a política que isolou a URSS e sua tentativa de combater a expansão do nazismo. Também não foi citado o genocídio de Lídice, “reparação de guerra alemã” que chacinou uma cidade e uma vila inteira após a morte de Reinhard Heydrich.

Ou mesmo citar o papel estratégico de Praga ao fortalecer e alimentar a máquina de guerra alemã com suas riquezas minerais, algo que permitiu a Alemanha manter uma guerra em duas frentes de batalha por vários anos e ainda questionar inicialmente as forças soviéticas em 1941 até 1943. A capacidade ofensiva alemã só terminou com o fim da Batalha de Stalingrado e a Batalha de Kursk.

Não obstante, descarrilha críticas a José Stálin, conhecido também como José de Aço. Fala de sua suposta “incompetência militar”, sobre o “fato” dele ter “fuzilado sua elite militar no fim dos anos 1930”, assim como também o culpabiliza pelos “desastrosos” avanços dos alemães no início da guerra, além de falar de “passado idealizado”, de “erros e atrocidades” de Stálin como “notas de rodapé”.

Vale destacar que, apesar da ironia com notas de rodapé, seu artigo carece delas em todas as suas afirmações sobre o líder soviético e sobre as virtudes soviéticas. Não poderia deixar de ter, a coluna de Gielow abraça com toda força e emoção o mantra “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” de Joseph Goebbels.

 

JOVEM OPERÁRIO – Stálin enfrentou, durante sua juventude, três prisões czaristas e organizou a fuga das três. (Foto: Reprodução/Arquivo)


Campos de concentração ou sistema prisional?

A Folha de S. Paulo passou da fase de “comprovar os crimes de Stálin” para a fase de naturalizá-los ao ponto de transformá-los em objeto de contextualização, um lembrete da política nesse ou naquele momento da história. É o que se comprova por meio das novas e diversas notícias difundidas no jornal, seja de colunistas (sua maioria) ou pequenas reportagens de variados assuntos e fins.

Com certa ironia, o anticomunista e colunista Ruy Castro também não poupou tempo para citar o relatório de Khrushchev, conhecida e comprovadamente falso, para estigmatizar Stálin e seus “expurgos” que cometiam “execuções em massa”.

Paula Sperb, em sua reportagem sobre Jorge Amado, afirma que “as execuções e campos de concentração de Stálin são amplamente conhecidos”, por exemplo. Semelhante à coluna de Igor Gielow, a jornalista gaúcha não apresenta nenhuma prova real, apenas toma a frase como se fosse uma generalização de um “fato” do passado, aceito e natural dos eventos da história.

Nunca houve um único campo de concentração soviético. De fato, a URSS, assim como qualquer país no mundo, tinha um sistema prisional, tinha seu código penal, tinha suas instituições de justiça, juízes, advogados, teóricos do Direito, assim, não poderiam deixar de ter também sua prisão para os elementos irregulares às normas estabelecidas pelo Estado operário.

Para efeito de comparação, o sistema prisional brasileiro resume-se hoje a um amontoado de celas imundas carregadas até a borda de jovens negros, muitos presos arbitrariamente por um sistema que se reduz a realizar “um projeto de moer corpos negros e pobres para gerar lucro para uma elite”.

Volta e meia, explodem revoltas nas prisões brasileiras, ocorrem massacres, disputas entre facções com degolação e desmembramentos de rivais, fugas em massa, ações coordenadas de revoltas simultâneas em diversas prisões etc..

A prisão soviética não se comparava às aterrorizantes prisões brasileiras nem aos campos de concentração alemães. A destacar um arquétipo um tanto estigmatizado: a palavra “Gulag” não se refere diretamente à prisão, ao espaço de confinamento, às celas e ao espaço prisional, mas ao sistema que rege a lógica da prisão, sua administração geral.

Pode-se dizer que o sistema Gulag ainda era bem mais “humanizado” do que as prisões brasileiras. Arquivos da Central Intelligence Agency (CIA), inimiga da URSS, revelam que até 1952, os presos recebiam uma quantidade garantida de alimentos, além de alimentos extras para o cumprimento de cotas diárias. O arquivo revela que os prisioneiros recebiam salários pois trabalhavam.

Um detalhe importante é que, após o fim da guerra, o governo soviético tinha mais fundos, o que permitiu aumentar o suprimento de comida para os prisioneiros e que, além disso, 95% dessas pessoas foram condenadas por crimes comuns, não por motivos políticos.

O documento também revela que, a partir de 1952, o sistema Gulag operava com a chamada “responsabilidade econômica”, de modo que, quanto mais os prisioneiros trabalhavam, mais eram pagos em dinheiro, ou seja, o contrário dos campos de concentração nazista. Outra condição generalizada nas prisões era o excedente da meta diária, se o prisioneiro cumprisse suas tarefas em 105%, ele teria um dia de sentença diminuído.

Mesmo presos e em condições precárias, o trabalho de um prisioneiro era mais humanizado na URSS que o trabalho de um brasileiro comum nos tempos atuais. Em média, um prisioneiro trabalhava dez horas por dia em 1954. Um brasileiro trabalha, às vezes, mais de dez horas diárias, o cenário piora se considerarmos o tempo que a classe trabalhadora fica amontoada nos transportes públicos.

A ideia de que o mundo inteiro reconhece “expurgos e execuções em massa de supostos inimigos” e as demais afirmações marginais que fazem de Stálin são puramente bravatas com um fim político. Elas não são verdades, e a Folha de S. Paulo é uma das responsáveis por espalhar a difamação e desinformação com naturalidade mundana para aparentar um viés “democratista”.

Seu caráter jornalístico se perde quando o assunto é socialismo, União Soviética e, principalmente, José Stálin.

 

INFOGRÁFICO – A verdade, ao contrário do que diz a mídia burguesa, é que o governo Stálin foi responsável pela construção do socialismo na União Soviética. (Foto: Thales Caramante/Jornal A Verdade)


Jornais negando o jornalismo e falsificações

Não à toa, os medos de João Pereira Coutinho tornaram-se reais. O colunista da Folha remete seu medo do passado, quando o jornalismo era somente um amontoado de “panfletos de gritaria ideológica que serviam várias causas, exceto a da verdade”, ou um “megafone de partidos ou demagogos, sem qualquer compromisso com o rigor.”

A verdade é que os jornais jamais abandonaram sua ideologia, jamais abandonaram seus “partidos e demagogos”. Para ele, somente “a partir de 1920, pelo menos nos Estados Unidos, houve um maior apelo pela objetividade”. Que objetividade é essa? Senão o contexto, o argumento e a declaração conivente com a linha editorial e ideológica do jornal burguês?

O próprio João Pereira Coutinho entra em total contradição e passa, posteriormente, a atacar o jornalismo. Segue a lógica: “Se não é o jornalismo que me contempla, logo, tudo que foi produzido fora deste padrão estadunidense é propaganda demagógica”.

Passa a fazer uma propaganda cega da concepção da guerra psicológica, busca demonstrar a superioridade norte-americana contra o “arcaico e ideológico sistema socialista soviético”, agora pelo jornalismo.

Comete esse erro quando abandona qualquer objetividade que anteriormente defendia para atacar Stálin e o socialismo por meio de um ataque ao jornalista ganhador do Prêmio Pulitzer, Walter Duranty, correspondente do New York Times em Moscou. Por qual razão?

Walter Duranty foi um jornalista que negou tudo que é mais religioso para a ideologia do jornalismo moderno burguês: negou a fome soviética, a pobreza do socialismo, as políticas de genocídio de Stálin, assassinatos em massa etc. Ao contrário, cobriu diversas vitórias do socialismo em primeira mão, como os planos quinquenais, nomeou de “propaganda antissoviética” qualquer reportagem que falasse em fome e fez tudo isso através de uma cobertura jornalística elementar, presencial e real, algo que nenhum outro jornalista da época conseguiu fazer.

A burguesia então inventou seus jornalistas que cobriram a fome soviética, como o jornalista assumidamente nazista William Randolph Hearst. Ele seguia a cartilha da objetividade do jornalismo estadunidense que agrada a Folha. Por conta disso, tudo que sua linha editorial noticiava se tornava automaticamente em uma verdade absoluta, mesmo que suas fontes (panfletos nazistas), viagens à URSS etc. sejam comprovadamente falsas.

Democratista, não podendo aceitar nazistas, a mídia burguesa atual passa a apoiar a objetividade de outro grande jornalista, Gareth Jones. Este também supostamente cobriu a fome ucraniana em suas viagens à URSS.

Porém, Gareth Jones sofre do mesmo problema de Hearst e sua objetividade jornalística nazista. Jones era um grande entusiasta do nazismo, inclusive não escondia elogios a Hitler e Goebbels em seus cadernos particulares. Inclusive, o nazista Jones teve a oportunidade de os conhecer pessoalmente, entrevistar e receber orientações políticas antes de partir a Moscou.

A antiga referência (Hearst) é nazista; a atual (Jones), sutilmente nazista.  Porém, a propaganda em forma de jornalismo vem somente do “mentiroso, comunista e demagogo” Walter Duranty. O crime de Duranty foi ser o único a estar na URSS naquele período e fazer o impensável para a classe burguesa: falar verdades sobre José Stálin e seu governo.

Fora esses dois brilhantes e objetivos jornalistas nazistas, não há ninguém dentro da rede da nova linha objetiva que atenda as demandas da Folha de S. Paulo, que comprove tal “genocídio”, “campos de concentração” e “execuções em massa”.

O fotógrafo Alexander Wienerberger que, com suas fotos (de autenticidade questionável), apenas comprova a narrativa soviética sobre os “anos da fome”, junto aos relatos de Frederick Schuman e outros, não nos resta considerar que a narrativa soviética é a que mais se encaixa com os eventos da época.

Possivelmente porque os soviéticos tinham fontes primárias, reais, verdadeiras e não especulações de uma campanha de difamação lançada pelos nazistas com o nome de jornalismo.

Com esses levantamentos, percebe-se uma narrativa política da história desenvolvida com base em mentiras de panfletos nazistas transformadas em jornalismo. Hoje, tomam forma como objetos de contextualização, porém, como vimos, o próprio jornalismo foi o responsável por combater essas mentiras criadas com o intuito de manter os ricos enricando e os pobres empobrecendo.

“Qual o interesse do grupo Folha? Enriquecer a família Frias”, afirmou Luiz Falcão. Evidentemente que não seriam indiferentes a esse assunto, até porque o sistema que a família Frias condena é o mesmo que a condenará futuramente.

 

 

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