MAIS UM POUCO e o governo baixa decreto: “Não
se admite a morte de homossexuais no país!”. Homicídio já nem será o caso.
Homossexual nenhum morrerá: nem de causas naturais, nem de doenças genéticas,
nem de acidentes de trânsito, nem por conta de guerras nucleares e, naturalmente, nem por suicídio.
Kaíque Augusto, 17, jogou-se de viaduto do
centro de SP. Triste, profundamente triste. Eu lamento. Chesterton dizia que
"O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos
os homens". O suicídio é a forma mais teologicamente triste de se matar
alguém. Um homicida mata um outro homem: alguém por quem se nutra ódio,
desprezo, paixão. O suicida mata, ao matar-se a si mesmo, a idéia de que
existam homens.
No entanto, ainda pior do que um suicídio –
banal, cotidiano, anônimo – é o suicídio ideologicamente absorvido. Maria do
Rosário – que não honra o nome uma única vez na vida – se apressa em fazer da
tristeza, palanque: “As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da
vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime
de ódio e intolerância motivado por homofobia. De acordo com dados do Relatório
de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos...”. Ela
não esperou que as investigações avançassem. Ela queria o cadáver ainda quente
– e vermelho – para disparar suas bravatas e justificar o orçamento.