O rapaz sem camisa, cabelo black-power castanho escuro, branco, de óculos, seco e peludo com calças estampadíssimas largas e esvoaçantes em motivos florais, Caetano Veloso na juventude, afeminado, recebeu a pobre ovelha, um homem um tanto fora do peso com chapéu panamá já com os seus quase cinqüenta anos de idade considerado feio pelo falso padre conciliar, ovelha dispersa órfã do já há muito falecido verdadeiro pastor Pio XII, no puteiro gay-hetero outrora instalado na casa velha da velha e decadente Avenida Nazaré no bairro de Nazaré de Belém do Pará.
- Quanto é a entrada? - perguntou a ovelha que mesmo tendo tendências homossexuais luta contra elas.
- 10 reais. - respondeu o afeminado exótico do puteiro.
- Ah, ok. Obrigado pela informação. - despediu-se a ovelha.
- Quem era? - perguntou do alto da escada uma mulher um tanto nervosa começando a ficar suarenta com os seios quase à mostra enlaçados por fios de naylon em uma trama de couro com shortinho de couro ambos negros e uma bota vermelha. Seus cabelos eram também black-power de cor lilás e louro acobreado típico de mulheres vulgares do povo guamaense, jurunense e da Terra Firme, bairros da capital paraense. Ela e outras mulheres ali estavam enciumadas e nervosas, um tanto suarentas, não tanto pelo clima de Belém quanto pela influência do demônio e dos maus costumes de seus machos no fogo da paixão invertida gay, modismo à beira do transexualismo atual como o rapaz seco afeminado, seu ficante.
- Era um velho. Queria saber o valor da entrada. Para ele é 10 reais... - respondeu o invertido da calça esvoaçante quase uma saia estampada que atendeu a pobre ovelha sem pastor.
- Viado, se ele fosse gato tu deixavas entrar de graça pra te comer, né? Já não tô gostando disso... - redargüiu a mulher suando um pouco mais de ciúmes do rapaz. Ela suava um pouco mais, também porque um diabinho com aspecto de osga pulou do nada para o seu pescoço e mordeu-lhe.
"Adeus ao homem." - pensou o velho dono da casa antiga em seu quartinho. Sua casa nos quartos frontais, tornada em puteiro, da Avenida Nazaré. "Eu já tô velho, acabado, elas não vão me querer..." - concluiu pensando o velho, um homem sequíssimo pela idade avançada, ele muito branco, com sardas, pernas finas, sequíssimas, sequíssimo, acabado, com óculos...
- Olha, o cu é meu; eu já tô de saco cheio de você. O cu é meu e eu dou para quem eu quiser. - respondeu o rapaz, os outros rapazes alguns na flor da idade proporcionando a beleza fresca da juventude diziam o mesmo para suas ficantes. O cu é dele disse o jovem sem camisa acima referido para a mulher supracitada apertados os seios de melão estourando na roupa negra de couro como em fios de cadarço como que de tênis, irresistível para qualquer sapatônica, mulher sáfica.
Ela sentou-se, cruzou os braços e as pernas balançando-as e batia os dedos da mão direita com suas unhas vermelhíssimas bem feitas de gavião sobre a mesa, não muito nervosamente. Ele assentou-se ao seu lado. Ela tocou-lhe no ombro nu e peludo do jovem.
Um outro jovem muito bem apessoado com rosto um tanto arredondado e uma barbinha castanha comentou:
- Nós recebemos, vocês, as meninas, aqui, mas o que vocês querem mesmo é ficar com homem que bate em mulher.
- A gente quer homem, tá! - respondeu uma outra moça morena escura com também cabelo black-power com traje tomara que caia e saia jeans.
- Homem que bate, isso, sim! Vocês são bolsonaristas! Vai logo pra a igreja evangélica! - respondeu o rapaz bem apessoado com peito nu sem pêlos, com muitos cabelos nas axilas, sem camisa, cabelo castanho com topete, baixinho de pernas grossas peludas e voz potente, apesar da inclinação homossexual detestável.
Detestável na vil muito velha missão de sua chefia desde o Éden missão de reduzir a pó o homem prometendo-lhe o pináculo da infinitude no nada de sua finitude e autonomia kantiana uma cobra brilhosa no brilho próprio azulado que até o maior negrume tem saiu da vala, da sarjeta da frente da casa antiga onde instalava-se o puteiro na avenida Nazaré. Uma cobra que navegando na vala de frente da casa, subiu a calçada e entrou na casa. O cãozinho da casa ganhindo escondeu-se. Uma senhora que rezava um Santo Rosário transeunte na calçada deixou cair as contas do Rosário no chão. Detestável a serpente atravessou as paredes da casa e subindo, imperceptível, sobre o rapaz com axilas extremamente peludas fez ele abrir os braços apoiando as mãos cruzadas sobre a cabeça, sensual, uma ereção começou a despontar em seu pênis de médio a pequeno e bem grosso com uma grande cabeça demonstrando o plus que mulher nenhuma tem com o seu buraco, vagina, entre as pernas. Também como algumas vezes acontecia nessas ocasiões pensamentos as vezes rápidos e intromissivos da detestável sua mãe que o oprimia e ao pai na sua infância, talvez a causa de seu homossexualismo, intrometia-se em sua mente. Certa vez ele achou estar esquizofrênico ao ver um demônio vomitando um líquido pastoso verde na cara de sua mãe enquanto ela desafiava o seu pai e xingava-o. Ele com sua voz grossa piscou os olhos para um rapaz louro e bem alto, com um rosto que resplandecia a recém saída da infância, 18 anos recém completos era a sua auréola, que estava no canto da sala e foram ambos sodomizarem-se mutuamente em um quartinho reservado.
A cobra deu meia-volta e um diabinho montou nela como em um cavalo.
- O nosso chefe lá no Éden quer isso, para além do bem e do mal, nós estabelecemos bem e mal. Somos kantianos, autônomos, übermensch, e que os homens acreditem em nós, que sintam sono, tédio profundo sintam-no de fazerem o certo definido pelo Inimigo. - com a garra esquerda em punho cerrado em riste socialista disse o diabinho montado na cobra preto azulada de tão preta de tão pobre em sua miséria diabólica. O diabinho tinha a pele de cinza a negra com grossas estrias que pareciam listras, tábuas paralelas em seu dorso, braços e pernas com seus chifres retorçidos, cauda de jacaré e um pênis humano duro.
Um rapaz nos seus quarenta e quatro anos de idade, moreno claro, olhos verdes, cabelos longos bem negros abraçava uma menina balofa bem branca no puteiro e beija-lhe os ombros nus afastando-lhe as alças de sua roupa para beijar-lhe.
- Já foi à Missa, amor? - perguntou a moça?
- Ih! Lá vem o papa-hóstia! - pulando na forma de uma aranha, um diabo, aterrizou invisível na mesa de ambos.
- Fui cedo na Paróquia da Santíssima Trindade. Tu sabes que eu gosto da rapaziada, aqui, não sou chato, moralista. O meu plus é Deus, é muito mais interessante Deus. - respondeu o rapaz cabeludo de quarenta e quatro anos.
- Eu não quero que tu te percas. - suplicou a moça balofa.
- Ah, se eles soubessem quanto estão no nosso papo e do nosso Mestre. - disse a cobra preta e azulada, verdadeira sucuri invisibilizada pela angelitude, Cobra- Norato, montada pelo diabinho da pele estriada de cinza a negro.
- Eu não sou moralista. Acho mais interessante uma abordagem intelectual. O pênis é para a vagina e vice-versa, é biologicamente evidente, segundo a lei natural rumo a lei divina, partes descendentes e ascendentes da mesma lei divina, Palavra de Deus. Um dia muitos deles perceberão e eu sou amigo deles para estar do lado dos despertos. Eu vou casar contigo minha balofinha. Aqui nesta casa tu sabes que todos os anos nós e eles com emoção vemos a Nazinha passar no Círio. E que viva Nossa Senhora de Nazaré! - concluiu o rapaz que trajava uma camisa da procissão paraense católica do Círio de Nazaré de Belém em uma calça social preta com sapatos de couro cinza com detalhes em metal.