- Pastor! Pastor! Venha aqui em casa a minha filha está muito mal... - Dizia a mulher em prantos.
- O dia inteiro aqui contigo e esta papelada, ó Samuel... - Diz Rebekah Câmara, a amante de Samuel Câmara, vesga com cara de uma completa retardada mental, com cabelo louro de espiga de milho e enrugada precocemente.
- Reli pra você os relatórios.
- Chegou o fornecedor da Boas Novas? E aquele idiota, frequentador da espelunca, cafona com aquele paletó mal cortado falando de igreja esposa daquele doido judeu do passado? Ele acha que está onde? Lá é seita, Igreja fica do outro lado da 14 de março. - Sentenciou Samuel Câmara.
- Estou aqui sempre contigo, Samuel, veremos como nos arranjar com esta massa de crédulos vendedores ambulantes desta cidade imunda e quente. Bando de deserdados moradores das periferias de Belém do Pará dominadas pelo Comando Vermelho. - Comentou Rebekah Câmara.
Samuel Câmara nunca "rezava" ou "orava" como dizem os completos imbecis bocós da ralé de povo que com traços farisaicos do pior tipo gabam-se de "orar" para distinguir-se dos católicos que "rezam". Vida mística zero ou abaixo de zero em Samuel Câmara, ele apenas repetia, máquina infernal que é sempre aprontando das suas, a linguagem protestante de tipo pentecostal ou neopentecostal para melhor enganar a arraia miúda em forma de plateia que abunda no Brasil desde a Colônia tão desprezada pelos portugueses. Pai e mãe por pior que sejam conhecem bem os filhos que têm.
- Saiam todos do quarto! - Ordenou Samuel Câmara daquele jeito truculento, controlador, tão típico do signo regido pelo deus rouco do triste submundo da mitologia helênica.
O pastor, sendo o psicopata que é, calculando sempre todos os seus passos com uma frieza espantosa, mas sacudido pela raiva e medo dado os evangélicos brasileiros, ou sua liderança mais notória, midiática, já ter chegado ao seu limite que é o banditismo comum puro e simples que ele próprio envolvera-se; assentou-se à cama da menina possessa e disse:
- Ninguém me entende...
- Porco herege! Ateu! Bandido! Eis sei quem és, eu te entendo, mas não estou nem aí para ti, não largo-te nem depois de morto com teu corpo apodrecido sendo roído pelos vermes debaixo da terra! - Vociferou a entidade demoníaca que dominava a menina.
- Eu estou a teu serviço... Sabes... Contenta-te e não me injuries. - Respondeu Samuel Câmara com uma frieza atroz.
Sacudia por efeito do demônio a janela de madeira do quarto do casebre da família da menina onde ela jazia no bairro do Guamá. A mãe da menina pranteava na sala.
- Porco psicopata! Não venhas ditar ordens a mim! O senhor por usurpação do século é o meu Mestre, o Espírito profundo de Ivan Fiodorovitch Karamázovi. Tu sabes calcular, deformidade psicopatológica, mede bem o teu medo e raiva, és bom, és bom nisso e aquietando-te faz sempre o que o meu Mestre quer de ti. Vou embora para o meu tormento perpétuo, fica com os louros da vitória do falso exorcista que és, falsário, incrédulo, marginal branqueador do capital da bandidagem! - Concluiu a entidade.
- Minha irmã, sua filha está liberta. - Disse Samuel Câmara dirigindo-se à mãe da menina.
- Glória a Deus, pastor, muito obrigada. Tome um cafezinho conosco. - Disse a mãe enxugando as lágrimas.
- Não. Mas muito obrigado. Passar bem. - Despediu-se Samuel Câmara.








