Samuel Câmara estava folheando uns rascunhos seus sobre as vidas de sua clientela na sua seita ou a fornecedora de dinheiro que alegadamente ele lava para a sua talvez off-shore em algum paraíso fiscal, aquela paupérrima concorrente da Roma Sagrada, a tal Assembleia de Deus de Belém do Pará.
- Completos idiotas. Ha ha ha!
Ele passava uma vista d'olhos na papelada como quem conta batatas, mas que causaria espécie para uma pessoa que não fosse um psicopata como ele aquelas affaire das dores humanas sacudidas pela pressa dos dias atuais.
- Idiotas, idiotas, idiotas e mais idiotas. Cafonas, pobres, feios, enfim, protestantes... Os católicos pelo menos são mais inteligentes e têm estilo. Ha ha ha!
Entra Rebekah Câmara, estrábica com cara de demente e cabelo tingido de palha de milho, a esposa de Samuel Câmara:
- Marcelo Campelo foi discreto no Instagram ao criticar o seu aluguel do Centenário Centro de Convenções. O que o psiquiatra disse para você, Samuel, sobre o medo?
De repente o contador de batatas percebeu-as quentes, a remembrança do medo sentido por um psicopata como ele.
- Sim... Eu sou complicado quando sinto medo. Ninguém me entende. Ninguém me entende. Ninguém me entende. - Ele tremia - O desprezo é grande a nós, psicopatas.
Samuel Câmara, o suspeito de ser um marginal comum para a Polícia Federal torna-se vulnerável, o medo, é a ferida na terrível pedra de gelo psicopatológica.
- Marcelo Campelo era meu chegado. Aquele doido do passado que me xingou, escapou-me pela mão.
Em algum lugar de Belém do Pará.
- Aquele marginal é complicado. - Diz a esposa, uma moça gorda e loura com aspecto de bonachona, de Marcelo Campelo ao marido.
- Eu rompi com o Samuel Câmara, eu disse para aquele jornalista. - Comentou Marcelo Campelo um rapaz obeso e muito dedicado, apesar do protestantismo em si, um tipo de sussurro aos hoi sophoi de uma sophia da famigerada gnosis por meio fiduciário? - Quero distância dele. - Concluiu ele.
Em uma clínica psiquiátrica em algum outro lugar de Belém do Pará.
- Para mim esse Samuel Câmara tinha que acabar em um manicômio judiciário. O sujeito é perigoso, tem o destino de muitos em suas garras. Eu soube que ele grita e trata mal os seus subordinados, é o medo transformando em gelo em quebradiças escamas do bloco de gelo da psicopatologia. Eu percebo, ele imita os melhores sentimentos como quem recita os versos de uma canção sem nunca ter ouvido a canção. Ele não me engana. Deus queira que nenhum zumbi psicopatológico nunca me engane. Aquele marginal Samuel Câmara é complicado para os leigos. - Disse em um gravador de áudio no celular com ar de galã e grisalho, o psiquiatra de Samuel Câmara.
Em um casebre de madeira no bairro da Terra Firme (Montese) de Belém do Pará.
- Porco ateu! Tu bebes na tua adega em teu apartamento luxuoso como o teu irmão falsário, Silas Câmara, que tu vives às custas dos idiotas que te sustentam! Rezar nunca rezas! - Vociferava a entidade demoníaca em um exorcismo feito por Samuel Câmara. As pessoas ao redor "oravam" com fervor, mãos espalmadas como é o costume sui generis pentecostal protestante.
Samuel Câmara pensava: "Maldição esta coisa de demônio, exorcismo, a entidade diz toda a verdade a meu respeito. Filha da puta."
- Off-shore! Off-shore! Tu beijaste a minha bunda no Panamá com o dinheiro lavado do tráfico de drogas e das milícias, Samuel! Berrava o demônio com a língua para fora. A janela esverdeada de madeira do aposento sacudia.
- Cale-se, e saia em nome de Jesus! - Gritara ele não por devoção religiosa alguma, mas porque naquele instante de exorcismo, sentia o medo das verdades que o demônio pronunciava.
As mulheres "orando" no exíguo quarto do rapaz possesso permaneciam de olhos fechados parecendo não crer em nenhuma das palavras do demônio como Ana mulher de Elcana seus lábios mexiam-se dizendo:
- Em nome de Jesus! Em nome de Jesus! ... ...
- Samuel Câmara, marginal, tarado, maldito, porco ateu, comunista, capitalista selvagem, herege! Tu és um marginal complicado só para quem não é psicopata como tu! - Soltando um agudo grito a entidade diabólica saiu do jovem.

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