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domingo, 12 de abril de 2026

Entre o Ser e o Parecer (conto poético cristão)

Autoria: João Emiliano Martins Neto 





Ambientação: (uma casinha de madeira no bairro do Guamá em Belém do Pará, norte do Brasil, onde um pastor protestante um tanto mercenário e incréu foi chamado para um exorcismo)

Sacode com violência a janelinha
O resto de galinha
Depois da sodomia beliscado na panelinha
A causa da possessão
Vício em questão.

Na França de Beauvoir ou aqui no Guamá
Na seita maldita do pastor ou na Santa Igreja Romana ao homem uma boa cova e uma bela pá.


Demônio:

A tua cabeça grande de melão
A tua cara murcha enrugada de podre mamão
É para tu cresceres no amor, ó bandidão!
Branquelão, grandalhão!
Anta daquele por enquanto ex-veadão!
Queres ser espertalhão!
Ó vendilhão!
Com tua acídia sois só um mandrião!
Charlatão!
Assassino do Cristo, do cristão.


Pastor: (fazendo o exorcismo)

Calado!
Calado!
Calado!
Desde jovem fiz um contigo pacto
Vou destruir o judeu, aquele 
Há anos naquela de Belém seita parado
Auferindo o meu dinheiro de fato
Quero o poder confessei para o veadão
Com o tal deus ele por hora fez um trato
Aquele lúcido malucão
Mostrei nu o meu duríssimo coração.
Quero o poder
De uma ignara massa a minha vontade ela fazer.


Demônio: (expondo a língua, enrolando-a de um lado a outro e sacudindo a cabeça violentamente de seu possuído)

Entre o ser e o parecer
És tu um bosta,
Desprezível ser
Tu vás destruir o judeu
Ó torpe ateu?
(cai na gargalhada o demônio amarrado à cama)
Depois do por hora ex-veadão
Conhece-te bem ele e o W. Costa
Sem intermitências um boiolão.


Pastor: (franzindo o cenho do rosto enrugadíssimo como uma bolsa escrotal com sobrancelhas maligna e afeminadamente arqueadas)

Ah, entre o ser e o parecer
Minha Laodiceia você ainda vai ver
Sou rico e de nada preciso
Aquela vesgota minha esposa eu escravizo
Ah, de todos eu preciso
O pobre povo do judeu
Deu tudo o que é seu
Depois do culto retornam de ônibus seus
Eu sei que não precisam absolutamente de mim 
Tudo em todos é o tal maldito deles deus.


Demônio:

Eu ainda na tua mão
Entrego-te o por enquanto ex-veadão
Ele é inteligente mesmo na época de malucão
Assola-lhe a solidão
As vezes o atormenta a amargura
Mas ele é muito sagitário
Rilha-me os dentes, ele é solidário
Aquela seita conciliar
É uma só secura
Entre crianças e doentes 
A palha dos inúteis entes
Melhor o Deus constituinte das humanas almas
Os entes pular
O pântano saltar
Já era seita antes de ser conciliar?
O Vigário antes de amar
Queria mandar
Miguel I Cerulário quis vomitar
Vomitou
No oriente ficou.


Entrego-te ele em tuas garras
Veremos até quando ele resiste sem farras
É uma madeira seca e mais seca
Um pedaço de carne sangrando do judeu
Madeira verde
O que será destes catoliquinhos brasileiros 
Ralé que mais cedo ou mais tarde peca
Com muitas farpas.


É preciso na homossexualidade maturidade
O Coração Imaculado daquela Mulher
Estremeço se menciono-lhe o nome
Em suas sete dores, a Mulher da Soledade
Ele pode vencer se insistir
Invocando-lhe o nome de renome
Para viver a castidade
Senão tu o poderás colher
E a tua verdade, bandido safado, tolher
Bandido! Entre o ser e o parecer
De longa data
Ele escolher e com bom humor ser.


(o demônio sacudiu o corpo de seu possesso, vomitou um líquido verde e saiu)


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